segunda-feira, 15 de junho de 2009

O MILHO E A JABUTICABA!

Ilustração: Artista Plástica : Regina Rita Lange Gottardi

Na panela quente, o milho a pular,
Grãos de milhos a transformar,
Em lindas e perfumadas pipocas a borbulhar,
Muitos grãos, fechados permanecem.
Com medo de estourar, mais resistentes ficam.
Estes grãos duros e resistentes,
Não explodem para a vida.
Contrariando estes grãos de milho, estão as jabuticabas,
Redondas e grudadas em seu tronco,
Reluzentes, aveludadas, pretas, saborosas,
A enfeitar, a encantar, a seduzir.
Na busca pelo prazer,
O fruto vamos colher, para saborear.
Ao toque de magia!
CLOC! ! CLOC! !...o fruto se rompe,
O som do CLOC ..CLOC... imprime
Sabor, poesia e leveza!
A uma simples pressão,
As jabuticabas jorram para o prazer,
Doces, suculentas a perfumar.
O mesmo não ocorre com alguns grãos de milho.
Quanto mais intenso o fogo, mais duros e secos permanecem,
Não florescem para a vida.
Algumas pessoas quando estão frente às adversidades,
Ficam duras, resistentes,
Com medo das dificuldades,
Com medo do desconhecido, vulneráveis ficam.
Como defesa usam e reforçam suas couraças,
Quanto mais reforçada for á couraça,
Maior é a prisão, menos vida.
Contrariando este quadro, estão as jabuticabas,
Com elas vamos aprender,
A sermos mais doces, flexíveis e ousados.
Sem medo do prazer.
Os sabores e prazeres,
Permeados estão de renovação, pela transformação,
Pela prova da combustão,
Rompem a cápsula dos encapsulados,
Para descobrir este novo ser.
Passam pelo processo de resignificação,
Que implica em:
As raivas e mágoas enferrujadas, remover.
Seus medos, enfrentar.
No mar de suas emoções, mergulhar,
A rigidez de posturas e conceitos, quebrar.
Seus limites, romper.
Seus nós, desatar
Suas fraquezas, superar.
Com as novas experiências aprender,
Este novo ser, esculpir,
Com o material que desejar,
Priorizando os saberes, os sabores e os prazeres.
Permitindo que o milho,
Pipoca se torne.
O CLOC! CLOC! da jabuticaba,
Em melodia se transforme;
Para encantar e seduzir,
Você!
Um novo olhar!
Um novo degustar!
Um novo viver!

Autoria, produção e publicação
Claudete de Morais
Psicóloga- CRP/12/01167

terça-feira, 2 de junho de 2009

Café com leite

Ilustração: Artista Plástica : Regina Rita Lange Gottardi


Com alegria, Laura entra na padaria,
Nos lábios um sorriso, pelo futuro degustar,
Um saco de leite vai comprar,
Para um gostoso café com leite tomar.
Distraída pelo prazer antecipado,
Do café com leite beber.
Ao chegar na caixa registradora, surpresa fica ao perceber,
Em sua mão está, um saco de leite a pingar,
As últimas gotas do leite estão a gotejar,
O saco estava furado, o leite pelo piso deslizou.
Desesperada Laura tenta, o leite juntar,
Em vão, o leite desapareceu e o piso umedeceu.
A Laura só resta duas opções:
Voltar e um novo saco de leite comprar,
Atenta ficar, para verificar se o saco perfeito está.
Ou ir embora, lamentando a sua má sorte,
Num trabalho contínuo de cobranças, contra si e todos,
Chorando pela perda do leite derramado.


Na ciranda da vida quantos estão a chorar,
Pelo leite derramado, pelo saco furado.
Pelo amor perdido, pelo sonho frustrado.
Diante das dificuldades em lidar com as frustrações,
As pessoas ficam presas ao passado.
Num processo de auto-punição, se boicotam,
Passam a andar em círculos,
A repetir suas histórias,
Pela dificuldade de com elas aprender,
Pelo medo do novo, do ousar, do ariscar.
Não buscam entender o que está a limitar.
Não buscam entender quem são,
Nem os motivos de tanta contradição.
Não conseguem no mar de suas emoções, mergulhar.
Seus medos e contradições, enfrentar,
Vivenciar a dor da perda, do abandono, do desamor.
Estas vivências, ressignificar.
Sair do passado, viver o aqui-e-agora,
Descobrir a alegria de estar presente, como um presente.
Deixar aflorar o desejo de novas escolhas, de novas realizações,
Ariscar e o novo enfrentar.
Para um novo ser, se transformar.


Laura, a sua escolha fez,
Sorridente voltou, para um novo saco de leite comprar,
Para finalmente o Café com Leite degustar.
Quente e saboroso, deixar o seu perfume espalhar,
Para no outro despertar,
O desejo de provar,
O gostoso Café com Leite!.

Autoria, produção e publicação
Claudete de Morais
Psicóloga- CRP/12/01167

quinta-feira, 26 de março de 2009

O FERVILHAR DA PANELA!


A fala emudece, o rosto endurece.
Engole em seco para não explodir.
Engasgado fica, diante do soco que parece ser.
Socado está a perturbar,
A borbulhar, pronto para explodir.
Explodir para fora ou para dentro.
Fecha a tampa da panela para segurar.
A panela está a fervilhar.
Um coquetel de sentimentos a fermentar:
Raiva, dor, humilhação, medo, frustração;
Misturados estão, na panela de pressão.
Raiva contida, escondida,
Anos a fio, a trilhar, a remendar, a enferrujar.
A contaminar o ser, que não poder ser,
Que não tem coragem de simplesmente ser.
O que deseja ser.
O medo paralisa a ação.
Robustece a panela de pressão.
Quantas panelas que estão a fervilhar,
Na ciranda da vida, quantas falas emudecidas.
Para conflitos evitar.
O foco é sempre o outro,
Porque tem medo do outro, ou para o outro poupar,
Para o outro não machucar.
Neste processo de o outro proteger;
O ser decresce, o ser desaparece,
Nas borbulhas da panela de pressão.
Para a panela não estourar,
O ser deve no foco ficar.
Seus desejos priorizar.
Para a panela esvaziar:
O medo enfrentar,
A raiva vomitar,
A humilhação resgatar,
A dor elaborar,
A frustração superar,
Novas metas estipular.
Deixar o amor por si próprio aflorar.
Em si mesmo acreditar.
A Alegria buscar,
Para ser, o ser que deseja ser.

Autoria, produção e publicação
Claudete de Morais
Psicóloga- CRP/12/01167

NÃO FUI EU!!


Rosto endurecido, olhar perdido,
Lábios fechados, silêncio dobrado,
Corpo franzino, andar cansado,
Com apenas nove anos de idade.
Não revelava a ninguém o som de sua fala;
Curiosos todos perguntavam, é mudo?
As professoras informavam que segundo a mãe, não era.
Na escola todos o agradavam para sua voz conhecer.
Os lábios continuavam fechados, o silêncio dobrado.
Encaminhado para a terapia,
No silêncio, selado ficava.
A terapeuta não desistia, continuava com a ludoterapia.
Algumas conquistas ocorriam,
Um vínculo afetivo se estabelecia.
Após vários meses, ao brincar com seu baú de brinquedos,
Retira do baú: barbante, papel e algodão.
Com paciência amassa o papel, junta o algodão e enrola o barbante ao redor do mesmo.
Vai até a cozinha pega uma caixa de fósforos, vem correndo e risca o fósforo.
Ao ver a chama de fogo crescer grita:
” Não fui EU!!!! Não fui EU!!!!
Sai correndo, chorando sem parar!
Pela primeira vez a terapeuta ouve a voz do menino.
Ao romper o silêncio, em sua defesa gritava.
O silêncio encobria a dor, o medo e, a culpa.
Gritando rompe o silêncio, rompe a culpa.
Rompe à dor, enfrenta o medo,
A liberdade conquista!

Aos quatro anos de idade a casa deste menino foi incendiada, enquanto ele e seu irmão menor dormiam. Seus pais não estavam, haviam saído para trabalhar. Segundo depoimento deles, quando chegaram em casa, o fogo já havia destruído tudo. O menino de quatro anos estava próximo de uma árvore encolhido e seu irmãozinho havia morrido queimado. Durante o processo terapêutico, o menino revelou sua dor e culpa, por não ter conseguido salvar o irmãozinho. Ao elaborar a culpa e fazer enfrentamento de seus medos, passa a interagir, a falar e a integrar-se no contexto social.

*Artigo inspirado em fatos reais*
Autoria, produção e publicação
Claudete de Morais
Psicóloga CRP/12/01167.

COCÔ NA CALÇA!


Com fúria no olhar, a mãe está a mostrar,
Para a filha de quatro anos, o cocô na calça a cheirar.
Apavorada a filha fica a tremer,
Com medo do que vai acontecer.
Entre gritos e tapas, a mãe fica a xingar.
No quarto escuro, deixa a filha ficar.
Oh! castigo cruel!
No escuro, vem os fantasmas a assustar.
Como fugir do terror, que está a atormentar?
Na testa, o suor a pingar;
Nas pernas, o xixi a escorrer;
Não sabe o que fazer.
O tempo não passa, pensa que vai morrer.
De seus brinquedos começa a se despedir.
No peito uma dor,
No rosto uma expressão de pavor.
Pensa que sua mãe a deixou de amar.
Na escuridão fica a chorar.
A porta se abre, a luz volta a brilhar;
Mais uma vez a mãe faz a filha cheirar,
O cocô da calça, para lembrar,
Que é proibido, cocô na calça fazer.
A mãe acredita que a filha a lição aprendeu.
A filha nunca mais, cocô na calça fez.
O tempo passou, a filha cresceu.
Uma linda mulher se tornou.
Com muitas limitações que a faziam sofrer.
O medo do escuro somava-se a outros medos,
Medo de lugares fechado, sofria de claustrofobia;
Medos que cerceavam sua vida e a alegria de viver.
O trauma do cocô na calça, muitos transtornos provocou.
Com mania de limpeza fica a esfregar.
Tudo tinha que brilhar para a sujeira tirar.
Como tirar as marcas do erro, da reprovação e da condenação?


O episódio do cocô na calça foi determinante para o desencadeamento de todos estes transtornos, que passaram a limitar a vida deste ser.
Aos pais um conselho, as palavras e ações, especialmente na infância, são decisivas na construção da vida de um ser, elas são modeladoras e direcionam nossas escolhas. Nossa vida é o reflexo de nossas escolhas.

*Artigo inspirado em fatos reais*
Autoria, produção e publicação:
Claudete de Morais
Psicóloga CRP/12/01167.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

A "Coisa"!

Entre lágrimas e lamúrias,
A mãe chorosa estava a reclamar,
Da filha ingrata que nada sabia fazer.
Que sempre estava a desobedecer.
Esta “Coisa”, assim se refere,
A mãe ,quando da filha, estava a falar.
É uma Coisa que não serve para nada,
Esta Coisa tem 10 anos.
10 anos a incomodar.
Peço então, para com a filha falar,
Para o drama decifrar.
Chocada fiquei ao ver, o desenho que a filha fez.
Quando solicitei que desenhasse o que estava a atormentar.
No papel um desenho, retrato do que estava a envenenar.
Mais parecia uma ameba, o que consegui interpretar.
Ao perguntar o que significava o seu desenho?
Afirmou:
-Isto é uma “Coisa”!
Com expressão de dor e desanimo, mais uma vez disse:
- Esta “Coisa”! Sou eu.
A sua fala refletia o sentimento de derrota e desolação;
De tanto ser apontada, como uma “Coisa”,
Por muito tempo ser tratada, como uma “Coisa”,
A filha incorporava o papel de uma “Coisa”,
Como uma coisa, sem brilho e vitalidade, se tornava uma “Coisa”.
Oh! Peso terrível das palavras que estão a ceifar;
A expressão do ser, que apenas quer ser;
A castrar a criatividade, a inteireza do ser.
Palavras modeladas com argamassa,
Cimentadas ficam a determinar a vida de um ser.
Sem perspectivas, sem viço, sem amor,
No mar da dor e do desprezo, naufragou.
Oh! Peso sinistro das palavras que transformou a vida deste ser.
Tão simples seria se, na ciranda da vida deste ser,
As palavras modeladoras fossem flambadas com respeito e amor.
A vida seria exuberante;
Transformando-a num ser brilhante.

*Artigo inspirado em fatos reais*
Autoria, produção e publicação: Claudete de Morais
Psicóloga CRP/12/01167

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Como esta sua Balança?



Dois pratos, duas medidas, na balança das emoções.
Em um as emoções do amor no outro, as da destruição.
É o ser lutando entre o instinto de vida e de morte.
É o conflito entre o ego ideal e o ego real.
No desejo de ser aprovado e reconhecido,
O ser assume o ideal, veste o molde da aprovação.
Molde este distante do real, jorrando frustração.
Certo, errado, bem ou mal, fazem a confusão.
Amor e ódio colocam em ebulição, o coração.
Na balança, dois pólos, duas reações.
É a busca pelo equilíbrio na balança das emoções.
No desequilíbrio, desliza para as extremidades;
Nas polaridades, ora mergulha no êxtase das paixões;
Ora naufraga no pólo da desilusão.
Diante da dor, do sofrimento e da frustração;
O prato da balança cai no chão.
Com ele o ser afunda no poço da desolação;
Desencadeando a depressão.
O desequilíbrio toma conta.
Para sair do poço da desolação;
O ser usa a racionalização, congela as emoções.
Nega a dor e a desilusão.
Os medos e ressentimentos vão para o baú da repressão.
Encaixota os sonhos.
No piloto automático, então fica.
A alegria desaparece, engessa a emoções.
O ser adoece e não sabe do que padece.
O ser não se reconhece tamanha é a confusão.
É momento de olhar para dentro de si,
Deixar aflorar o real, acolher, aceitar e valorizar;
Quebrar o gesso, os moldes, deixar borbulhar as emoções.
Aprender a administrar a balança das emoções.
Ciente que estes pratos existem e as diferenças são reais.
Que o desafio do ser é saber lidar:
Com bem e o mal,
Com a saúde e a doença,
Como a alegria e a dor,
Com o sucesso e o fracasso,
Com o apego e o desapego,
Com a paz e a guerra,
Com a vida e a morte,
Com o amor e o desamor.
Na dança das polaridades, buscar o equilíbrio,
Fazendo leituras do ser e do sentir.
Alinhando os pratos, aproximando-se do centro,
Do equilíbrio.
Neste movimento de sincronismo e encanto,
O ser cresce e se envaidece!


Autoria, produção e publicação: Claudete de Morais
Psicóloga com formação Psicanalítica
CRP/12/01167

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Claudete pontua possíveis causas dos suicídios ocorridos em Balneário Camboriú!
Leia texto retirado da edição do Jornal Página 3 de 01/02/09.


Três suicídios de jovens em Balneário Camboriú nesse início de ano.

Eles tinham 20,28 e 30 anos de idade, eram moradores de Balneário Camboriu e se suicidaram esse mês. No ano passado foram nove suicídios, a maioria de pessoas jovens. O delegado de policia Arthur Nitz, conta que assusta, porque a maior parte dos suicídios nas cidades é cometida por jovens. Quando é instaurado inquérito policial para apurar o crime, em geral as famílias se surpreendem com o ato cometido pela vítima. Muitos nem imaginavam que houvessem algum problema. A orientação é que para que quando os familiares percebam algum problema, atitudes estranhas, que procurem auxiliar essa pessoa”, diz o delegado.
Para a psicóloga Claudete de Morais existem dois fatores importantes que explicam em parte, o que levam as pessoas tão jovens a tirarem a própria vida. É o uso das drogas, “porque a pessoa fica com a consciência alterada, às vezes está alucinando, não se dá conta do que está fazendo e aqui se faz muito uso de droga” e a competitividade do mundo moderno, que, segundo a psicóloga é reclamação freqüente no consultório.” um nível de insatisfação muito grande entre os jovens, porque a cobrança é muito grande, o que gera o estresse que pode acarretar um quadro depressivo. Temos aqui na cidade um mercado restrito, que não vai dar um retorno financeiro que eles querem... não assim, rapidamente, tem que se consolidar, isso leva tempo. Percebo muitos jovens que vem estudar, trabalhar, algumas famílias inteiras chegaram aqui e se decepcionam...”, pontua Claudete.
Ela encerra enfatizando, que a sociedade está doente e relembra o que o delegado de policia ressaltou lá no começo da matéria. “Se você analisar o maior índice de pessoas que se suicidam e procurar no histórico dessas pessoas, você provavelmente vai encontrar transtornos depressivos, ela quer é acabar com o sofrimento, e às vezes é um sofrimento tão intenso, que não se dá conta que acabará também com a vida”.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

E os Danos Emocionais?



A tragédia que assolou o nosso estado tem sido o foco dos noticiários e debates, ressaltando os danos materiais. Questionamos e os danos emocionais, como avaliar?
Os sentimentos de luto e de ameaça estão presentes na população e poderão ser os desencadeadores de sérios Transtornos Emocionais.
Lidar com perdas, lutos, é muito assustador, é quando nos deparamos com nosso sentimento de impotência, com nossa fragilidade. Quando nos defrontamos com o irreversível e diante dele temos que nos curvar. O desejo de gritar e negar o que está acontecendo é imperioso, o medo domina, porém a realidade aterrorizante se impõe. A capacidade de enfrentamento a estes episódios, dependerá da estrutura emocional de cada um.
Depoimento de uma vitima desta tragédia que teve sua casa soterrada: “Quando durmo tenho pesadelos e neles revivo tudo que sofri isto mais parece um filme de terror que não termina nunca.”.
Este comentário retrata: dor, medo, pavor. Se estes sentimentos persistirem por mais de um mês, estará se estruturando um Quadro de Stress Pós-Traumático. Os sintomas característicos incluem uma revivência persistente do evento traumático.
Sintomas persistentes de excitabilidade aumentada como: dificuldade em conciliar ou manter o sono. Irritabilidade ou surtos de raiva. Dificuldade em concentrar-se. Hipervigilância, respostas de sobressalto exagerada.
Os que estão vivenciando uma situação traumática pela primeira vez, se surpreendem com suas reações. Podem conviver com o fantasma do medo, da dor, por muito tempo, como também são capazes de se superarem, no desejo da reconstrução.
A força da solidariedade, este encontro de pessoas que se unem ligadas por um sentimento maior, que é de amor representará o despertar da chama da esperança. O que contribuirá significativamente para esta reconstrução, tanto a nível material quanto emocional.
O sofrimento nos leva às mudanças. Se efetuarmos um aprendizado desta dor, ao elaborarmos o nosso luto, processaremos um crescimento pessoal.
Lamentavelmente há pessoas que não conseguem superar estas perdas, que resistem ás mudanças, apegadas aos antigos modelos, angustiadas sofrem muito. São pessoas com tendências a desenvolverem transtornos emocionais e doenças psicossomáticas.

Fonte : Artigo puplicado no Jornal Página 3 no dia 13/12/2008

Autoria, produção e publicação: Claudete de Morais
Psicóloga com formação Psicanalítica
CRP/12/01167


segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Balneário Camboriú


Caminhar sobre a areia quente que acolhe o mar.
Sentir o prazer e se deleitar.
Fitar a linha prateada do horizonte,
Entre o céu e o mar.
No mar,
Milhares de gotinhas de diamantes estão a brilhar.

Nas águas do mar, que ora são azuis,
Ora prata, brilham a espelhar,
O sol garboso, a beijar,
A namorar as rendinhas do mar.

Apreciar as rendinhas brancas,
Que brincam nas ondas do mar,
Rendinhas que dançam e correm,
Para os meus pés beijar.

No mar, soberana está à ilha das Cabras,
Linda a reinar.
Na encosta do mar exuberante está,
A mata atlântica a embelezar.

A espalhar no ar,
O cheiro gostoso da terra, do mato, a perfumar.
No verde mergulhar, com ele se encantar,
Os troncos das árvores, abraçar.
No abraço sonhar, brincar, voar.

Com a mãe natureza comungar.
Apaixonados pela natureza ficar,
Com a natureza relaxar.
Com a natureza se revigorar.

Espetáculo de poesia e beleza;
Que a natureza está a ofertar.
Muitos passam e não vêem,
Outros passam e deslumbrados ficam.

Na ponta da Barra Sul,
Altivo está,
O Teleférico a nos convidar,
Para passear no ar.

Pendurados em um fio no ar,
Entre as árvores da Mata Atlântica,
Vamos descortinar;
Belezas mil...

Praias... de Laranjeiras, Taquaras,
Estaleiro e outras tantas.
Ao retornarmos, seguimos pela Interpraias.
De exuberante vegetação, a nos fascinar.

Na ponta da Barra Norte,
Lá estão os decks,
Românticos a encantar,
Convidando os enamorados a amar.

Contrastando com o agreste da mata,
Próximo à areia do mar,
Estruturas gigantescas, de ferro e cimento;
Crescem na vertical, no céu azul a rasgar.

Na exuberância de suas formas,
Com as mais diversas aberturas;
Para abrigar a todos,
Que perto do mar querem ficar.

Em meio a tanta beleza,
Poesia, ferro e cimento;
Pela a orla de Balneário Camboriú,
Continuamos o nosso caminhar.

Cidade de relevantes contrastes,
De área geográfica reduzida.
Com estrutura de cidade grande,
Oferece beleza, lazer, magia, conforto a encantar.

Em destaque a gastronomia,
Que provoca euforia.
O comércio que muito fascina,
Podendo a todos os bolsos agradar.

No alto do Morro da Cruz,
O Cristo Luz.
De braços abertos a esperar.
Os que vêem nos visitar.

Assim continuamos o nosso caminhar.
Ora nas areias do mar,
Ora nas estradas da vida.
A observar e a vibrar.
Diante do milagre da vida,
Deixamos à emoção borbulhar.

Autoria, produção e publicação: Claudete de Morais
Psicóloga com formação Psicanalítica
CRP/12/01167

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Novo Olhar


Olhar. . . Olhar e não enxergar. 
Ver a natureza, sem se emocionar. 
No piloto automático ficar. 
Robotizado, assim a vida levar.
Pacotes de imagens, 
Engessadas ficam, 
Sem se alterarem. 
A registrar:
O cotidiano achatado pela rotina. 
Automatizados ficam; 
Homens e mulheres. 
Sem se encantarem.
Os olhos, no futuro, 
O desejo é no avançar. 
Buscar, buscar, cada vez mais, 
Com medo de endoidar.
Olhar e não ver, 
O verde das matas a reluzir. 
Os troncos das árvores que se entrelaçam. 
Num casamento perfeito, a seduzir.
A natureza está a orquestrar; 
Os mais diversos sons a encantar. 
Pássaros e borboletas estão a dançarem; 
Como o orvalho nas folhas a brilhar.
No aqui-e-agora, ficar. 
No silêncio mergulhar; 
Com ele se emocionar. 
Com a vida vibrar.
No silêncio repousar, 
No silêncio se encontrar. 
Neste encontro, deslumbrar. 
O segredo desvendar.
Que o buscar frenético, 
Não é pelo dinheiro ou poder. 
É para fugir do ser
Do ser, que não quer ser.
É fugir do ser que se agita. 
Que não se aceita. 
Que busca fora, o brilho; 
Brilho este, que já tem.
No silêncio meditar. 
No silêncio se apaixonar. 
Na magia deslizar. 
Na magia do silêncio, se transformar.
Sentir o perfume do verde da mata, 
O cheiro da terra molhada. 
Ver o sol transformar, o verde em prata. 
Na sinfonia dos pássaros, dançar.
Olhar para o conhecido; 
Que desconhecido parece. 
 Novo olhar, novo brilho. 
Um novo ser floresce.
O corpo a vibrar, 
A emoção a borbulhar, 
O canto dos pássaros a aquecer. 
O amor que no coração está a crescer.
Do ser, que apenas quer ser. 
Fiel ao seu próprio ser. 
Amor, reflexo da aceitação; 
Valorização pelo seu próprio ser.
Novo olhar!
Novo prazer!
Novo viver!
Surge um novo Ser!


Autoria, produção e publicação: Claudete de Morais
Psicóloga com formação Psicanalítica
CRP/12/01167

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

O Entalado


Na boca um gosto amargo, na garganta um aperto,
No coração uma dor, nos olhos uma desilusão.
Um contraste, o que era doce, amargo se torna, 
O que era terno, ríspido se apresenta,
O que era prestativo, duro se revela,
O que era encantador perde a magia.
O brilho caiu, um novo ser surgiu.
O novo estava revestido de outras peles,
Ao se despir, se revela, cria impacto.
A dor borbulha, a boca se cala,
Na garganta a queixa entalada, o grito sufocado.
Por não gritar, doente ficará.
Em sua sacola de remédios você encontrará,
Remédios para ansiedade, depressão, insônia e dores mil.
O entalado reprime sua angústia e perguntas mil,
No silêncio de sua dor e medo, o entalado fica a fermentar.
O entalado de tanto fermentar, igual ao enlatado vencido ficará.
Degustar o enlatado vencido, veneno se tornará,
Veneno que penetra nas entranhas do ser e, a alma adoecerá.
Veneno que agride ao corpo e, o corpo doente ficará.
Veneno que se espalha e, a todos que rodeiam contaminará.
Diante de tanto fermento só tenho a receitar,
Liberar o que está entalado, deixar fluir o reprimido.
Expressar seus sentimentos, sem temor, falar.
Esgotar o poço, limpar as pedras, secar as lágrimas.
Subir, subir, com uma voz bem forte gritar, gritar,
Despir, arrancar a tinta que tenta encobrir os sentidos,
Quebrar as cascas, os brilhos falsos, retirar a maquiagem,
Vomitar o entalado e, a liberdade conquistar.
Esvaziar, esvaziar, soltar as mágoas, ressentimentos e dores,
Soltar as raivas enferrujadas, se renovar.
Livre do entalado, um novo ser florescerá.
Altivo, sereno, feliz consigo mesmo ficará.
Um novo caminho, novas posturas, novos desafios.
Cabeça erguida, olhar firme, passos seguros.
No rosto um sorriso vibrante, brilhante por se respeitar.

Autoria, produção e publicação: Claudete de Morais
Psicóloga com formação Psicanalítica
CRP/12/01167

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Maria Chorona



Chora, chora sem parar.
Nem ela sabe o que a faz chorar.
Ora é uma repreensão, ora uma frustração.
No olhar uma preocupação com a aprovação.
Está sempre a espera de valorização.
Da platéia deseja aplausos,
Diante dos aplausos e aprovação, pula de alegria seu coração.
Na indiferença ou silêncio da platéia, aflora desconforto e irritação.
Um sentimento de inadequação toma conta do coração.
Na mente uma interrogação, quanto ao motivo da desvalorização.
Sente-se diminuída, fragilizada, desconfiada, insegura.
Diante de tal sentimento, encolhe-se com medo da reprovação.
Constrói muralhas, para o medo afugentar.
Quanto mais altas ficam as muralhas, mais isolada ela ficará.
Mergulhada no caldeirão do sofrimento e da lamentação.
Está a Maria Chorona, em busca de aprovação.
Quantas Marias Choronas estão presentes em nosso cotidiano? Diante de tal quadro surge um questionamento:
Como Maria se tornou Chorona? Quais as causas?
Maria, filha muito desejada, ao nascer o trono de princesa a esperava e como tal era tratada.
Quando criança por todos bajulada, mimos e agrados lhe eram dados.
Maria cresceu entre aplausos e afagos mil, acreditando ser a estrela de brilho maior, para seus desejos não havia limites.
Ao sair do ninho paterno enfrentou ventanias e tempestades.
Surpresa ficava toda vez que as pessoas não a elogiavam e não a aplaudiam.
Sentia-se agredida, diminuída, insegura. Mil perguntas surgiam em sua mente:
O que estava acontecendo? Não agradava mais, perdera o seu encanto? Aonde e como perdera seu encanto?
Sem respostas para seu sofrimento, o pranto tomava conta de seus dias. A cada pequena frustração, aflorava o sentimento de rejeição e transformava a situação em uma grande tragédia. Sua dificuldade em superar as frustrações eram gigantescas. Os desafios eram temidos.
Ao acreditar que havia perdido o brilho, aflorava a insegurança e o sentimento de desamor tomava conta de seu coração.
Com sua auto-estima rebaixada costurava uma colcha de desilusões, criando situações que a agrediam e a frustravam, fermentando o sofrimento.
Aos pais das Marias Choronas um alerta, a super-proteção é tão nociva quanto o desamor, tornando a criança dependente e insegura.
A insegurança é a filha do medo, principalmente o medo de não ser aceita, não ser amada.
A insegurança é o desencadeador do sentimento de rejeição, ao achar que está sendo rejeitada, diante de tal sentimento perde a crença em si mesmo, criando dificuldades aonde na verdade não existem.
Amor e aplausos são importantes em nossa vida, principalmente em nossa infância, porém é importante estarem ladeados do bom senso, do respeito, da responsabilidade e principalmente dos limites.
Superar frustrações, vencer as adversidades, nos levará ao aprendizado que nos fortalecerá e contribuirá com o nosso processo de desenvolvimento e aprimoramento.
Ao vencer os desafios, às adversidades, nossa crença em nós mesmos se potencializa. Passamos a ter consciência de nossa força, de nosso potencial.
Nesta caminhada descobrimos o nosso próprio brilho sem necessitar do outro, que na verdade era o nosso espelho.
Toda vez que recebíamos aplausos, o sentimento de aprovação e valorização se fortaleciam. Nossa autoconfiança crescia, porém condicionada aos aplausos. Ao nos libertarmos do peso do espelho, nos libertamos do controle do mesmo.
Ao percebermos que somos parte de um todo, e que o respeito que tenho por mim, deve ser similar ao que tenho pelo o outro. Estaremos plantando a semente do amor, da amizade e da aceitação.
O florescer destas sementes trará a alegria e a leveza do simplesmente viver, sendo apenas, nós mesmos.


Autoria, produção e publicação: Claudete de Morais
Psicóloga com formação Psicanalítica
CRP/12/01167

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

O Funeral dos Sonhos

Na face uma lágrima, na garganta um grito perdido.
No olhar o terror, no peito uma dor.
Pupilas dilatadas, respiração ofegante;
A denunciar o medo, o temor.
Medo que cola e como cola não desgruda.
Que toma conta da gente, no mundo onde à gente mora.
É gente com medo de gente, é gente matando gente.
Muros, grades, muralhas são levantadas.
O protegido passa a ser prisioneiro, da própria armadura.
A criança não pode mais brincar, pular, solta a cantar.
Lá se foi, o sonho da pipa solta no ar e com ele tantos outros.
No funeral dos sonhos estão: o assalto, a violência, a morte e a dor.
A natureza se entristece, o ser adoece, a sociedade padece.
De mãos atadas, anestesiados pelo próprio medo.
Assistimos o massacre do ser que deixou de ser.
Balas perdidas e fogo, são ateados em pessoas, é a sociedade em luto.
As pessoas estão impregnadas pelo medo,
Medo das agressões, medo do medo.
Transtornos de ansiedade, de fobia, de pânico;
Transtornos de Stress Pré e Pós-Traumático tomam conta da gente.
Um inferno fora, um inferno dentro, dentro de cada ser.
A que ponto chegou o sofrimento do ser humano?
Gritantes são os contrastes.
A ciência avança, a tecnologia surpreende.
A globalização se insere e o mundo se torna uma grande aldeia.
Sentados frente à tv e ao computador, a gente vê e fala, com gente de toda a aldeia.
Com medo de gente, a gente se isola e, usa a maquina para falar com gente.
Em meio a tantos avanços e abundância, o contraste imprime: a impotência, a solidão, a fragilidade.
O homem nunca esteve tão solitário, impotente e fragilizado.
Em meio a tantas conquistas, em uma sociedade livre e dita democrática;
Perde-se o mais importante: a liberdade, a paz e muitas vezes a própria vida.

Autoria, produção e publicação: Claudete de Morais
Psicóloga com formação Psicanalítica
CRP/12/01167

Oficina Maluca

Andar cansado, corpo curvado a se arrastar.
Corpo atado, olhar atento e preocupado.
Na cabeça, mil idéias a sufocar.
É gente que sobe morro, é gente que desce morro a procurar;
O alívio de suas angústias, de suas idéias, que estão a maltratar.
Idéias que vem e vão, idéias que vem e ficam a perturbar.
Dia e noite a oficina das idéias a trabalhar.
Sem parar ela leva a gente a endoidar.
Liga a tv, para das idéias se libertar, lá vem noticias a assustar.
Liga o som, para as idéias afugentar;
Embaladas pelo som, as idéias pulam a pipocar.
Apaga a luz, fecha os olhos para dormir e das idéias se libertar;
Como uma sirene elas ficam a agitar.
A gente fica sem dormir, sem descansar e as idéias a pulsar.
O corpo dói, o sono vem, mas não dá para deitar é hora de trabalhar.
A caminho do trabalho a gente reza para das idéias se livrar.
Reza que não é atendida, pois a oficina continua a trabalhar.
Como fazer a oficina das idéias, parar de trabalhar?
Idéia que cola colada está de preocupação, medo e temor.
Quanto mais aumenta o desejo delas se libertar;
Mais cresce a ansiedade, a tensão e a dor.
Pensamentos intrusivos continuam a faiscar.
A gente grita que está na hora da oficina fechar;
Para a mente aliviar e o corpo repousar.
É momento de faxinar a mente e dela arrancar;
Ervas daninhas, criadas pelo medo, medo de perder, sofrer, amar e morrer.
É momento de enfrentar o medo, rebaixar a ansiedade e em si acreditar.
Para a ansiedade reduzir, mais exercícios físicos e respiratórios praticar.
É momento de ascender à chama do amor, da fé e, a mente acalmar.
Com o universo se harmonizar, para meditar e, a mente esvaziar.
Para a oficina desligar, assim que desejar.

Autoria, produção e publicação: Claudete de Morais
Psicóloga com formação Psicanalítica
CRP/12/01167

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Bodas de Ouro


Bodas de Ouro, de anos dourados,
Anos compridos, vividos lado a lado,
A dois, no meio da filharada.
Anos costurados, com amor e dedicação.


Bordados, com paciência e compreensão,
Rebordados, com renúncias e determinação.
Modelo de vida, que retrata o possível, em meio ao desencanto.
Modelo que se choca com os modelos atuais.


Da intolerância, do desamor, do imediatismo, do egoísmo.
Modelo que perdeu a receita do caminhar a dois.
Dos ingredientes indispensáveis para esta longa caminhada,
Do amor, regado com respeito e confiança.

Flambado com as trocas, carinho e dedicação.
O som do salão e o perfume das flores denunciam,
O festejar das Bodas de Ouro, de José e Marlene Maria.
Ao som do violino o casal desfila pelo salão.


Nos olhos dos filhos, netos e parentes, a emoção.
O fotografo retrata a família com devoção.
Retrato que conta a história do amor e da dedicação.
Dos que estão e, como estão.


Dos que se foram e, não voltarão,
Dos que unidos permaneceram,
Para plantar mais vidas, sementes de muita emoção.
Antonio celebra com devoção, a renovação dos laços desta união.


Em sua fala pontua a força da paciência e da dedicação,
Que construiu o equilíbrio desta relação.
A música, o perfume das flores e dos sabores a serem degustados,
Imprimem ao evento beleza e poesia.


Na pista, muita dança e alegria.
Os presentes mergulham na sinfonia.
As Bodas de Ouro comemoram com euforia.
José e Marlene Maria

Autoria, produção e publicação: Claudete de Morais
Psicóloga com formação Psicanalítica
CRP/12/01167

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

A Pulga

Pulga que pula, pula sem parar,
Pula, coça,perturbando até cansar.
Dúvida que pulsa, lateja, na cabeça a torturar,
Dúvida que pula como pulga sem parar.
Dúvida que cresce, molestando sem descansar,
O sossego vai tirar e, cinzento tudo ficará.
Sem sabores, sem cores, só dores,
A dúvida como a pulga se infiltrará.
Como veneno contaminará, a todos que atingirá.
Destruindo o que antes parecia sólido, altivo, brilhante.
Pulga que pula, desconcerta e, ninguém acerta onde está.
Ó dúvida cruel, que pulsa e pula se transformando em fel.
Que amarga e atormenta a vida da gente.
O desejo é expurgar o fel, retirar a dúvida, libertar o réu.
Magicamente liquida-se a dúvida, duvidando dela mesma, negando-a.
No céu azul, o sol volta a brilhar.
Num misto de euforia e coragem, a gente passa a acreditar,
Que tudo vai mudar, a confiança voltou a reinar.
O coração se aquieta, a alegria floresce, a dúvida desaparece
Em busca de novos sabores, a gente tenta se enganar.
A pulga volta pular, para a segurança da gente, balançar.
Pulga que em seu ventre traz, dúvida a infernizar.
Pulga da desconfiança, da traição, do desamor, da destruição.
Pulga do insucesso, da desonestidade, da agressividade, da exclusão.
Pulga que reveste o medo, medo de perdas, medo da competição.
Dúvida que se robustece na competitividade do mundo moderno.
Onde os saberes tem que ter um diferencial, ser o melhor.
Onde os saberes às vezes, perdem os sabores.
Como competir, sem a dor da dúvida sentir?
Se a auto-estima em baixa estiver,
A dúvida como fermento crescerá e, a pulga se alojará.
Para a auto-estima subir, necessário a auto-confiança construir.
Mergulhar em si mesmo, deixar aflorar seu potencial natural.
Deixar borbulhar o que há de melhor em si, surpreender-se.
Com a realidade conviver, focada no aqui-e--agora.
Ciente que a dúvida é o filhote do amanhã, e no amanhã se perderá.
Lançar olhares para o horizonte, que de tão distante, a gente não sabe bem como será.
Ciente que se hoje a gente estiver serena e confiante, o amanhã certamente será brilhante.
Descortinar o seu próprio brilho e, com ele se encantar.
Para a dúvida expurgar e, o coração aquietar.


Autoria, produção e publicação: Claudete de Morais
Psicóloga com formação Psicanalítica
CRP/12/01167

O Fantasma


Olhos esbugalhados, lábios apertados,
Mãos tremulas, narinas dilatadas.
Pés atados, arrepios de medo e terror.
No peito um coração acelerado.


É o ser com medo, do medo.
Medo do que possa acontecer.
O fantasma está na mente.
Na mente de cada ser.

O alerta foi ativado.
Nem ele entende o porquê.
Sente o desespero, fica limitado.
Sem saber o que fazer.

Gritar, fugir, correr!
O medo é de morrer!
O fantasma está a crescer.
A angústia é como vencer?

Homens e mulheres estão a enfrentar;
A síndrome do pânico, a se alastrar.
Mal da sociedade atual.
Fortalecida pela doença social.

Onde a violência e a criminalidade,
Vivem na impunidade.
Despertando no ser;
Impotência e fragilidade.
Cabe a cada um, a sua parte fazer.

A violência combater.
Reforçando o seu ser.
Enfrentando o fantasma, para vencer.
O medo enfrentar, enfrentar.

Para ele esmorecer e o ser crescer.
Fazer leituras do que está a sentir;
Para saber que é capaz de vencer.

Entender que é possível vencer.
O fantasma é fruto do seu ser.
Diante do enfrentamento,
O fantasma deixará de ser

Enfrentar as limitações, ousar, ousar.
Ter fé e, em si mesmo acreditar.
Dos grilhões do medo se libertar.
Para uma vida nova desfrutar.

Autoria, produção e publicação: Claudete de Morais
Psicóloga com formação Psicanalítica
CRP/12/01167

Dourei a pílula!


Sonho dourado, surrado de tão almejado.
No coração o desejo, na garganta um nó apertado.
Poeiras ao vento, dos encontros e desencontros,
Na busca do côncavo e do convexo,
Na procura do ser perfeito, par perfeito, amor perfeito.
Almejando o perfeito, mergulha no mundo das idealizações,
Transforma o ideal em real.
Levado pela carência modela o ser, no ser desejado,
Ao esculpido, projeta seus sonhos, constrói castelos,
Borrifa purpurina, embelezando o produzido.
Empresta ao ser um brilho que não lhe pertence,A todos propaga, o quanto ele é maravilhoso,
Desliza entre as ondas da paixão,
O tempo passa, o cotidiano cobra, o real se impõe.
O doce fica amargo, a frustração toma conta;
Desapontado pergunta: O porquê do desencanto.
Entristecido percebe, o sonhado não existe.
O sonhado foi esculpido, com o ouro das idealizações e da utopia.
O brilho sumiu e um novo ser surgiu.
Diante do novo, arrepios... Finalmente um insight.
Dourei a pílula!Na ciranda da vida vivemos a dourar muitas pílulas,Pílulas que encobrem nossas reais dificuldades.
Pílulas que mascaram nossas carências.
Com o tempo o brilho desvanece e o inevitável acontece.
Só nos resta, aceitar o real, fugir do ideal,
Descobrir no real seu encanto, sua beleza, sua poesia.
No aconchego de si mesmo, deixar aflorar o amor,
Que pode não ser perfeito, mas é real.



Autoria, produção e publicação: Claudete de Morais
Psicóloga com formação Psicanalítica
CRP/12/01167

Mulher!


Mulher! Musa de inspiração, retrato da perfeição.Expectativa do avanço, da revolução.Da tecnologia, da ciência, da informação.A exigir desta mulher a perfeição.
Mulher de mil papéis a desempenhar.Mulher de mil maneiras a encantar.Mulher de mil esforços a se superar.Mulher de mil facetas a representar.
Mulher! Brilho e luz, que dá luz.Ser que se renova, ao nascer o novo ser.Ser que molda o ser que deu a luz.Mulher! Raiz de um novo mundo, raiz de um novo ser.
Mulher! Com seu perfume a exalar.Mulher! Com sua beleza a encantar,Mulher! Com sua meiguice a seduzir.Mulher!Com sua magia a atrair.
Mulher protótipo de beleza e perfeição.Diante deste modelo, deste padrão.Surge o peso e a frustração.Diante da pressão e da competição.
Ser mulher, ser exuberante, ser ardente.Ser mulher, esposa fiel, ser mãe presente.Ser mulher, empreendedora e atendente.Ser mulher, dona de casa e competente.
Mulher de sensibilidade aguçada.Deve ter a fala açucarada.As emoções negativas reprimidas.Para ser por todos, aplaudida.
Mulher que ser é este?Que não pode simplesmente, ser.Sem ser perfeita, chorar e crer.Podendo errar, se aceitar e ser.
A esta mulher que carrega tamanha bagagem.A esta guerreira, minha homenagem.Que troféu daria a esta mulher.Se liberta estivesse dessa bagagem
Passaria pela metamorfose de ser mulher e, se priorizar.Rasparia o gesso em que modelaram seus sentimentos.Para dentro de si mergulharNeste mergulho o prazer encontrar.
Descobrir que é possível mudar.A mulher maravilha, deixar de ser.Aos sonhos voltar, de ser apenas mulher.Sem se preocupar de, a perfeição ser.
Autoria, produção e publicação: Claudete de Morais Psicóloga com formação Psicanalítica CRP/12/01167