Realização Pessoal - por Marcelo Mello


Estamos atravessando tempos difíceis. Todos nós. Não importa a idade, posição social, nível cultural, nada disso tem importância diante do que está ocorrendo na sociedade.
É fato que as pessoas estão procurando algo que não irão encontrar. Isso para falar sobre os que procuram alguma coisa porque boa parte da sociedade não procura nada.
Mas é fato que todo ser humano desse planeta deseja duas coisas, isso eles têm em comum: Querem dinheiro fácil e coisas de graça.
Assunto para outro papo, pois não é esse o foco central desse texto. Minha preocupação é com o destino dessas pessoas que estão perdidas. Sim caro leitor, tenho a pretensão de mudar o mundo. Claro, não sou tão louco assim, mas posso fazer algo em um pequeno universo. E quer saber? Já dei um passo importante e inimaginável para mim há um ano.
A necessidade que se faça alguma coisa beira à emergência. Para onde você se vira cruza com alguém que está desesperadamente sem rumo.
Isso era previsível. Com o avanço dessas malditas redes sociais que ditam regras sem sentido de comportamento, do igualmente estúpido comportamento politicamente correto, aquilo que chamo de hipocritamente correto, as pessoas se tornaram um tanto quanto superficiais, descartáveis e, por que não dizer, se tronaram aquilo que nunca quiseram ser.
Fingem ser o que não são, fingem ter o que não têm, fingem felicidade, fingem ser educados, certinhos, pior, tentam agradar todo mundo sem perceber que isso, além de ser impossível, significa se desagradar completamente.
Multiplique esse comportamento destrutivo e sem nexo por alguns anos e terá a situação atual.
O que fazer? Só constatar não dá. É preciso fazer alguma coisa efetiva e objetiva a fim de que esse processo seja interrompido.
Bom, algumas coisas são necessária e não é o apertar de um botão, é um processo que demandará certa dose de paciência e comprometimento. Leva tempo, mas tem que ser iniciado.
Em minha opinião digo que duas coisas são as mais importantes:
Educação, claro, tudo começa por lá. Há que se ter uma educação em que seja possível a criança e o adolescente desenvolver um comportamento criativo. Estou falando em comportamento criativo e não criatividade pontual. Tem que ser algo permanente e profundo.
Realização pessoal: Não dá mais para viver preparando as pessoas para serem aquilo que os pais querem que elas sejam. Simplesmente não dá. Os adolescentes sofrem uma pressão desumana. E muitas vezes essa pressão é para que eles estudem e trabalhem em algo que, em algum momento, frustrouos pais. Evidentemente que não posso escrever aqui muita coisa a respeito, mas em resumo é assim. Os pais querem que seus filhos sejam uma de duas coisas: Ou o que eles foram ou o que eles não foram.
Isso não vai funcionar. É óbvio que essa quantidade de adultos frustrados e problemáticos que temos atualmente é consequência desse tipo de coisa.
Realização pessoal é algo sério. Não tem nada a ver com dinheiro. Que fique claro, afinal, todo mundo só pensa em ter e não ser. Realização é pegar um caderno em branco, escrever e desenhar sua própria história.
Enquanto não se mexer nessa ferida de modo profundo, a coisa só vai piorar e com a velocidade do mundo de hoje, em breve teremos jovens frustrados e igualmente problemáticos.
Ah, já está acontecendo? Então estamos bem atrasados. Melhor começar mexer nisso agora mesmo!

“Educar Pressupõe Sempre Desagradar À Criança”, Diz Psicóloga Rosely Sayão


Especialista acredita que o excesso de zelo adia a conquista da maturidade
Especialista em questões relacionadas à família e à escola, a psicóloga paulistana Rosely Sayão acredita que as crianças estão sendo educadas sob o peso da superproteção, o que as desconecta da realidade. O excesso de zelo também dificulta o desenvolvimento da resiliência, a capacidade de resistir às adversidades e empurra para mais tarde a conquista da maturidade.

Para Rosely, falta aos pais, preocupados em demasia com um futuro de sucesso para os filhos, um olhar focado no presente.
— A gente perde de vista o filho como ele é hoje. Quem é o meu filho? Do que ele gosta? Do que ele não gosta? Quais são os talentos dele? Quais são as impossibilidades? Algumas delas a gente pode superar? — pergunta-se a psicóloga, colunista da Folha de S.Paulo e da Band News FM.
Confira os principais trechos da entrevista.
Você aponta a superproteção dos filhos como um estilo dos pais hoje em dia, independentemente de classe social, econômica e cultural. Onde isso fica mais evidente?
Em todas as situações que envolvem essa neurose de segurança que a gente adquiriu: filho não sai sozinho, na esquina, na padaria, não usa transporte público. Há adolescentes que usam sem os pais saberem, mas não para ir para a escola. Para ir para a escola, ou tem perua, ou o pai leva e busca, e eles vão ficando um pouco distantes da realidade. Em casa, eles são muito poupados dos afazeres domésticos com que poderiam contribuir, sempre acham que tem alguém que faça. A gente não tem ensinado para os filhos que tudo tem um processo com começo, meio e fim. Por exemplo, ir a um aniversário. Tem o antes, que é pensar na pessoa, pensar no presente, sair para comprar o presente, pedir para os pais se pode ir, perguntar se os pais podem levar e buscar. Depois tem a festa, o desfrute, e depois da festa tem de ver quem vai buscar. Tudo fica com os pais e, para os filhos, é só ir à festa. Tomar banho é a mesma coisa: é só entrar debaixo do chuveiro. Não tem a organização da roupa e do banheiro, enxugar o banheiro. Nada disso, para os filhos, faz parte desse processo. Isso tudo é superproteção.
É comum os pais se colocarem contra a escola, atacando o professor ou o método de avaliação para defender os filhos.
Exato. Às vezes, os filhos reclamam de um colega e os pais vão tomar satisfação com os pais do outro colega. Briga entre crianças sempre vai acontecer, e elas são capazes de resolver. Quando não são, a escola tem de dar conta se elas estão lá. Mas os pais querem resolver tudo, metem-se na vida escolar dos filhos muito intensamente. A escola deveria ser a primeira batalha que a criança aprende a enfrentar por conta própria. Os pais estão com a ideia de que ir bem na escola, passar de ano, ser exitoso é um índice de que eles são bons pais. Eles fazem tudo para que isso aconteça. Os filhos vão aprendendo que “se tem problema, meus pais resolvem”.
A imaturidade é a principal consequência da infância e da adolescência poupadas de percalços?
A maturidade vai ficando mais tardia. Hoje, muitas empresas reclamam demais da falta de compromisso dos seus funcionários mais jovens, uma geração que já foi criada assim. Se o chefe dá uma bronca, o funcionário já quer sair do emprego. Os pais, resolvendo tudo, não colaboram para que o filho construa a resiliência, que é a capacidade de resistir às adversidades, de cair e levantar, de tropeçar, machucar o joelho, fazer o curativo e seguir em frente. O mundo das crianças pequenas é absolutamente irreal. As escolas privadas são obrigadas a limpar a areia semanalmente, os móveis não têm cantos, é tudo arredondado. As crianças não podem vir da escola machucadas que os pais reclamam. Esses pequenos incidentes fazem parte da adaptação ao mundo. É contraditório: a gente diz que os pais não dão limites, mas as crianças estão limitadas em demasia. Não pode isso, não pode aquilo, não pode aquele outro. E como é realidade da vida que dá os limites, aí, elas não reconhecem esses limites.
Qual é a maior angústia dos pais atualmente?
O sucesso dos filhos a qualquer custo, o que tem custado uma formação deficitária. O sucesso futuro retira um pouco o presente da vista dos pais. A criança e o adolescente estão no presente, não é pensar só no futuro. A gente deveria substituir aquela famosa e malfadada pergunta “o que você vai ser quando crescer?” por “o que você quer ser antes de crescer?”, para eles terem a ideia de que são alguma coisa agora.
Outro lado que o sucesso no futuro tem provocado é a formação dos valores, da moral, da ética, dos princípios. Está todo mundo focado em “meu filho tem de ter um bom emprego, ganhar bem, ter conforto”, mas, se ele não for uma pessoa de bem, vale a pena? Essa é a pergunta que a gente tem de se fazer.
É excessiva a procura por psicólogos, psicopedagogos, neurologistas? Os pais estão com dificuldade de entender os filhos? A solução para eventuais dificuldades e problemas é muito “terceirizada”?
Às vezes não há nada de errado. É preciso lembrar do que os estudiosos têm chamado de medicalização da vida. Olhamos a vida pela lógica médica, e a lógica médica tem a saúde e a doença, o normal e o anormal. Se não está dentro do que se considera normal, procura-se um diagnóstico para poder tratar e transformar em normal. Muitas crianças e muitos jovens têm recebido diagnósticos desnecessariamente, equivocadamente. São poucos os profissionais da saúde, de modo geral, que também conseguem resistir a essa ideologia.
Como a internet está influenciando a formação das crianças?
Vou ligar essa questão à primeira, sobre a superproteção. É surpreendente que os pais superprotejam os filhos, a ponto de não deixar ir na esquina comprar um pão, e os deixem sozinhos na internet muito precocemente. Eles esquecem que a internet é uma rua, uma avenida, uma praça pública. Talvez a criança e o jovem fiquem tão focados nisso que deem menos trabalho aos pais. A gente vai a restaurante e vê um monte de criança com celular ou tablet. A internet móvel é um “cala a boca”, “fica quieto”. Aí é que a criança aprenderia a socialização, como se comportar em locais diferentes com pessoas diferentes. Aí estaria o empenho da família na formação dos filhos. Nas crianças e nos jovens, a internet sem tutela provoca aquela ideia do descompromisso: “Posso fazer e falar o que eu quiser que não tem consequência”. Mas não é a internet em si a responsável por isso. Ela não é o único elemento a dar essa ideia para os mais novos, é só mais um.

Você sabe como funciona a Terapia EMDR em seu cérebro?

Você sabe como funciona a Terapia EMDR em seu cérebro? Descubra, nesta animação narrada por Esly Carvalho, Ph.D., conceitos básicos sobre o funcionamento do cérebro e como o EMDR age nessa incrível máquina biológica a fim de tratar e curar traumas, ansiedade, depressão, fobias e outras questões de saúde mental e emocional.
     Assista o vídeo para melhor compreensão!

A depressão e a ansiedade são sinais de luta, não de fraqueza


Os problemas emocionais não são uma escolha, e ninguém deseja atravessar uma depressão nem passar por momentos de ansiedade. Eles simplesmente podem surgir, após um período de acúmulo de situações e circunstâncias complicadas em nossas vidas.

Existe uma falsa crença de que a ansiedade e a depressão são sinais de fraqueza e de incapacidade diante da vida. Mas não, uma pessoa com ansiedade, depressão ou sintomas mistos NÃO está louca e nem tem uma personalidade fraca ou inferior aos outros.
É triste e esgotador lutar contra isso, mas é uma realidade social que não podemos ignorar. Assim, apesar dos avanços da ciência, o inconsciente moderno que envolve nossa sociedade ainda pensa que os problemas emocionais e psicológicos são sinônimos de fragilidade e vulnerabilidade.
Por isso, dado que a depressão e a ansiedade não são contempladas como feridas que precisam de atenção, é comum ouvir discursos circulares com argumentos do tipo “relaxe”, “não é para tanto”, “comece a se mexer, a vida não é isso”, “você não tem razões para chorar”, “comece a amadurecer”, etc.
São comuns, não é verdade? De fato, é provável que em algum momento tenhamos sido vítimas ou até proferido este tipo de discurso. Por isso é fundamental realizar um exercício de conscientização e dar à dor emocional a importância que ela tem e merece.
Assim, da mesma forma que não iríamos ignorar a dor causada por fortes pontadas no estômago ou uma enxaqueca terrível, não deveríamos ignorar a dor emocional.
Não podemos esperar que estas feridas emocionais se curem sozinhas, devemos trabalhar para extrair delas o significado presente em seus sintomas.
Ou seja, devemos consultar um psicólogo que nos ajude e nos proporcionar estratégias para fazer frente a esta grande dor emocional causada pela ansiedade e pela depressão.
Seguindo com nosso exemplo, assim como deixamos de consumir a lactose quando descobrimos que somos intolerantes a ela, devemos “deixar de consumir”aqueles pensamentos e circunstâncias que infeccionam nossa ferida emocional.
Não valem curativos ou vendas: devemos limpá-las e curá-las verdadeiramente.
Por isso, neste artigo pretendemos normalizar aquelas sensações das pessoas que possuem problemas emocionais deste tipo. Vejamos mais sobre eles para podermos compreender e nos conscientizar…

A ansiedade, uma viagem nefasta em uma montanha russa

As sensações que nos invadem com a ansiedade são muito similares às que surgem em um passeio de montanha russa em que começamos a nos sentir mal.
Coloquemo-nos nesta situação. Fomos passar o dia em um parque de diversões no qual encontramos uma montanha russa incrível e decidimos andar nela. Para fazer isso, temos que esperar em uma longa fila até que chegue a nossa vez.
O dia é quente e o sol está batendo forte em nossa cabeça, o que nos causa uma grande dor e mal-estar físico. Sentimo-nos cansados e não temos vontade de subir no vagão, mas fazemos isso, porque afinal estamos ali para aproveitar.
Uma vez sentados, nosso coração começa a bater forte, tudo dá voltas ao nosso redor, os vagões giram 360 graus várias vezes, nos submergimos em túneis escuros e tudo parece nos atacar.
Nossa respiração se acelera e nosso coração não pode parar. Sentimos que de um momento ao outro vai acontecer alguma coisa conosco. Nossas sensações estão bagunçadas, algo nos aprisiona no peito, ficamos imóveis e sem capacidade de reação.
Não podemos evitar pensar em coisas negativas. Gritamos, choramos e nos queixamos, mas ninguém nos ouve, nem sequer nós mesmos. Pedimos desesperadamente que tudo aquilo pare, e sentimos que estamos morrendo na tentativa.
No entanto, não conseguimos fazer com que nosso vagão freie, pois ele só parará quando acabarem os minutos programados para a viagem.
Neste sentido, um ataque de ansiedade é igual a uma viagem que nos faz mal em uma montanha russa. Em um dado momento tudo vai acabar, mas não sabemos quando nem como, por isso manter o controle diante desta incerteza é algo tão difícil de fazer.

“Vivemos tempos líquidos. Nada é pra durar.” , por Zigmunt Bauman

“Vivemos tempos líquidos. Nada é pra durar.” , por Zigmunt Bauman

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 A Grande Arte De Ser Feliz - 6 de novembro de 2017

Estamos cada vez mais aparelhados com iPhones, tablets, notebooks, etc. Tudo para disfarçar o antigo medo da solidão. O contato via rede social tomou o lugar de boa parte das pessoas, cuja marca principal é a ausência de comprometimento. Este texto tem como base a ideia do “ser líquido”, característica presente nas relações humanas atuais. Inspirado na obra “Amor Líquido” – sobre a fragilidade dos laços humanos, de Zigmunt Bauman. As relações se misturam e se condensam com laços momentâneos, frágeis e volúveis. Num mundo cada vez mais dinâmico, fluído e veloz. Seja real ou virtual.
O sociólogo polonês Zygmunt Bauman é um dos intelectuais mais respeitados da atualidade. Aos 87 anos, seus livros venderam mais de 200 mil cópias. Um resultado e tanto para um teórico. Entre eles, “Amor liquido” é talvez o livro mais popular de Bauman no Brasil. É neste livro que o autor expõe sua análise de maneira mais simples e próxima do cotidiano, analisando as relações amorosas e algumas particularidades da “modernidade líquida”. Vivemos tempos líquidos, nada é feito para durar, tampouco sólido. Os relacionamentos escorrem das nossas mãos por entre os dedos feito água.
Bauman tenta mostrar nossa dificuldade de comunicação afetiva, já que todos querem relacionar-se. Entretanto, não conseguem, seja por medo ou insegurança. O autor ainda cita como exemplo um vaso de cristal, o qual à primeira queda quebra. As relações terminam tão rápido quanto começam, as pessoas pensam terminar com um problema cortando seus vínculos, mas o que fazem mesmo é criar problemas em cima de problemas.
É um mundo de incertezas, cada um por si. Temos relacionamentos instáveis, pois as relações humanas estão cada vez mais flexíveis. Acostumados com o mundo virtual e com a facilidade de “desconectar-se”, as pessoas não conseguem manter um relacionamento de longo prazo. É um amor criado pela sociedade atual (modernidade líquida) para tirar-lhes a responsabilidade de relacionamentos sérios e duradouros. Pessoas estão sendo tratadas como bens de consumo, ou seja, caso haja defeito descarta-se – ou até mesmo troca-se por “versões mais atualizadas”.
O romantismo do amor parece estar fora de moda, o amor verdadeiro foi banalizado, diminuído a vários tipos de experiências vividas pelas pessoas as quais se referem a estas utilizando a palavra amor. Noites descompromissadas de sexo são chamadas “fazer amor”. Não existem mais responsabilidades de se amar, a palavra amor é usada mesmo quando as pessoas não sabem direito o seu real significado.
Ainda para tentar explicar a relações amorosas em “Amor Líquido”, Bauman fala sobre “Afinidade e Parentesco.” O parentesco seria o laço irredutível e inquebrável. É aquilo que não nos dá escolha. A afinidade é ao contrário do parentesco. Voluntária, esta é escolhida. Porém, e isso é importante, o objetivo da afinidade é ser como o parentesco. Entretanto, vivendo numa sociedade de total “descartabilidade”, até as afinidades estão se tornando raras.
Bauman fala também sobre o amor próprio: o filósofo afirma que as pessoas precisam sentir que são amadas, ouvidas e amparadas. Ou precisam saber que fazem falta. Segundo ele, ser digno de amor é algo que só o outro pode nos classificar. O que fazemos é aceitar essa classificação. Mas, com tantas incertezas, relações sem forma – líquidas – nas quais o amor nos é negado, como teremos amor próprio? Os amores e as relações humanas de hoje são todos instáveis, e assim não temos certeza do que esperar. Relacionar-se é caminhar na neblina sem a certeza de nada – uma descrição poética da situação.
“Para ser feliz há dois valores essenciais que são absolutamente indispensáveis […] um é segurança e o outro é liberdade. Você não consegue ser feliz e ter uma vida digna na ausência de um deles. Segurança sem liberdade é escravidão. Liberdade sem segurança é um completo caos. Você precisa dos dois. […] Cada vez que você tem mais segurança, você entrega um pouco da sua liberdade. Cada vez que você tem mais liberdade, você entrega parte da segurança. Então, você ganha algo e você perde algo”, afirma o filósofo.

Conheça o biólogo brasileiro que busca uma cura para o autismo fabricando minicérebros – e, no tempo livre, investiga o pensamento dos neandertais e as origens da nossa personalidade.


Quem quer ser da equipe de Alysson Muotri – que desde 2008 chefia um laboratório com 23 pessoas na Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD) – pode enviar o currículo pelo site oficial. Mas, atenção: o link “trabalhe conosco” é ilustrado por um recorte de jornal amarelado, com um anúncio de emprego peculiar. “Procuram-se candidatos. Jornada arriscada, salários baixos, frio cortante, longos meses de absoluta escuridão, perigo constante. O retorno a salvo é duvidoso. Honra e reconhecimento em caso de sucesso.”
Quem assina é o inglês Ernest Shackleton, líder de duas expedições à Antártida na primeira década do século 20. Reza a lenda que ele de fato convocou voluntários nos classificados do jornal Times – mas há quem suspeite que essa pequena pérola seja uma fraude, já que não foi encontrada nos arquivos da publicação britânica. Fraude ou não, Muotri não poderia ter escolhido uma piadinha melhor para definir sua filosofia de trabalho. De sua bancada, já saíram minicérebros autistas curados. Minicérebros com Zika vírus. E, num toque de ficção científica, minicérebros neandertais comandando robôs de quatro patas.
Um “minicérebro” é um conjunto de células neuronais criado em laboratório – para que o cientista possa simular (e estudar) as reações de um cérebro real sem ter de abrir a cabeça de alguém. Pesquisa de ponta? Claro. Arriscado? De certa forma. Mas honra e reconhecimento não faltam: trabalhando na vanguarda da genética e da neurociência, Muotri é o biólogo brasileiro que publica o maior número de artigos científicos de impacto atualmente.
Graduado em biologia na Unicamp, Muotri foi à USP em 2000 fazer doutorado orientado por Carlos Menck, um reconhecido geneticista brasileiro. Depois, bateu na porta do Instituto Salk, o mais importante centro de pesquisas biomédicas do mundo, e convenceu Fred Gage, uma lenda viva da neurociência, a adotá-lo para um pós-doutorado. Em 2008, ganhou o cargo de professor e o laboratório na UCSD – onde tem liberdade para fazer qualquer estripulia genética – desde que seja, em suas palavras, “legal o suficiente”. Para entender o trabalho de Muotri – e por que ele é tão importante –, precisamos primeiro entender o habitat natural dos pensamentos: as células.

Cidades invisíveis

O minúsculo mundo das células
Células são pacotinhos microscópicos de consistência oleosa no interior dos quais ocorrem as reações bioquímicas que chamamos de vida. Seres simples, como as bactérias, consistem em uma única célula. Seres complexos, como você, são aglomerados de 37,2 trilhões de células. 37,2 trilhões é o número de segundos que se passaram desde que o Homo erectus, um ancestral remoto do ser humano, saiu da África pela primeira vez e deu origem aos neandertais. O fato de que é necessário esse tanto de células para formar um pedaço de carne de mais ou menos 1,7 m dá uma boa noção do quanto elas são minúsculas.
Células não têm consciência, ambições ou desejos, o que torna especialmente assustador o fato de que cada uma delas sabe exatamente o que fazer para construir e operar seu corpo, desde o dia em que você foi concebido. Todas começam como células-tronco embrionárias, com potencial para exercer qualquer função. Conforme se multiplicam, algumas tiram a sorte grande e se especializam para gerar seu coração. Outras se relegam resilientemente ao papel de vesícula biliar. Elas sabem o que fazer porque cada uma contém, em seu núcleo, uma cópia completa do seu genoma – o manual de instruções que dá o passo a passo para montar um ser humano.
Vejamos o caso das células do fígado. Para se tornarem bons e confiáveis fígados, elas só precisariam dos genes que têm a ver… bem, com o fígado. Mesmo assim, elas carregam os genes para todo o resto. Cada um dos nossos cerca de 30 mil genes é ativado em sequências diferentes para formar tudo, do dedão do pé ao tímpano, em uma ação coordenada muitas vezes mais complexa que a de um maestro marcando a entrada e saída de cada instrumento da orquestra. Com a diferença de que não há maestro. A partitura do corpo, o genoma, se lê sozinha. Muotri, então, é uma espécie de maestro. Que consegue reger (e reverter) esse processo celular à sua maneira. E usá-lo a nosso favor.
Foi assim que, em 2010, ele foi capa da Cell, uma das revistas científicas mais influentes do mundo. Sua pesquisa consistiu no seguinte: primeiro, Muotri extraiu um tipo de célula chamado fibroblasto de uma pessoa com síndrome de Rett, uma forma grave de autismo. Depois, deu marcha a ré no desenvolvimento dessa célula, até ela voltar ao estágio embrionário. Então forçou-a a se tornar um neurônio, uma célula do cérebro. Esse neurônio era “autista”, já que veio de um paciente com síndrome de Rett. E era essa mesmo a ideia, porque o próximo passo seria curar o neurônio.
O processo de transformar uma célula em outra é chamado de “reprogramação celular”, e em 2012 rendeu um Prêmio Nobel a seu inventor, o japonês Shinya Yamanaka. Alysson, inspirado por ele, se tornou um ninja da reprogramação. E foi o primeiro que teve a ideia de usá-la para criar células propositalmente doentes, para então tentar curá-las e descobrir novos remédios no processo. Esse era só o começo. Logo ele descobriu como incentivar a multiplicação desses neurônios feitos sob medida para estudar doenças. E um conjunto de neurônios tem nome: cérebro. Muotri passou a construir minicérebros.

O mini e o cérebro

Em busca de uma cura para o autismo
Um minicérebro é um punhado de neurônios do tamanho de uma ervilha. Sua função é ser uma maquete viva. O dito-cujo não consegue crescer muito, pois não tem vasos sanguíneos para irrigá-lo (sustentar um órgão sem sangue é como abastecer um prédio com água sem instalar encanamento – até dá, mas a eficiência é quase zero). O minicérebro, até onde sabemos, não é grande nem complexo o suficiente para manifestar consciência. E também não se especializa: ao contrário das repartições de um cérebro real, que se dedicam a falar, armazenar memórias ou interpretar estímulos visuais, o minicérebro é uma folha em branco: pode ser o que Muotri quiser, basta estimulá-lo para tal.
Essas miniaturas demoram exatamente nove meses para amadurecer, e como um ser humano, atingem o ápice da atividade elétrica no momento em que deveriam nascer – caso estivessem no útero, dentro de um crânio, é claro. Daí para a frente, a vida é longa: alguns estão com Muotri há três anos. Curar minicérebros doentes é parecido com curar cérebros reais, e por isso eles são modelos úteis para testar uma infinidade de drogas para problemas neurológicos – mais úteis do que ratos de laboratório. Com eles, os testes clínicos ficam mais rápidos e as drogas chegam mais cedo ao mercado: o remédio que curou o neurônio com síndrome de Rett em 2010 já está sendo aprovado para uso em humanos.
Em 2013, Muotri propôs ao governo federal a implantação de um instituto de pesquisas sobre autismo no Brasil. O projeto não saiu do papel com recursos públicos, então ele e seus colegas partiram para a iniciativa privada e fundaram a Tismoo – uma start-up de cunho social com escritórios nos EUA, no Brasil e em Portugal. O objetivo da Tismoo é simples: criar minicérebros de pacientes autistas e usá-los como cobaias para testar tratamentos personalizados.
Em 2013, no governo Dilma, Muotri, em parceira com um grupo de ativistas, propôs ao governo federal a implantação de instituto de pesquisas sobre autismo no Brasil. O projeto não saiu do papel com recursos públicos, então eles partiram para iniciativa privada e fundaram a Tismoo – uma start-up sem fins lucrativos com escritórios dos EUA, no Brasil e em Portugal. O objetivo da Tismoo é simples: criar minicérebros de pacientes autistas e usá-los como cobaias para testar tratamentos personalizados em laboratório. Quando o tratamento ideal é encontrado, ele pode ser aplicado à pessoa de verdade.


O que Você sabe o que é Bipolaridade?

Você sabe o que é a bipolaridade? Conheça melhor este quadro clínico!!!
Parte do texto retirado da entrevista com a psicóloga Claudete de morais dada  à Revista Bem Estar
Quais são as características do Transtorno de Bipolaridade?

Todo mundo pode um dia estar explodindo de felicidade e no outro, acordar querendo matar o primeiro que cruzar em sua frente. No entanto, para aqueles que  sofrem de Transtorno Bipolar, as mudanças de temperamento são mais extremadas e sérias.  Para a psicóloga Claudete de Morais, é preciso muito critério para avaliar e diagnosticar essa doença, por isso é necessário buscar ajuda de um psiquiatra e do psicoterapeuta. "Oscilações de humor são normais, porque vivemos entre as polaridades, o bem e o mal, o certo e o errado; mas sempre com equilíbrio, o bipolar não tem esse equilíbrio", analisa.
Nesta fase de mania ou depressão, a pessoa apresenta modificações na forma de pensar, agir e sentir e vive num ritmo acelerado, assumindo comportamentos extravagantes, como sair comprando compulsivamente tudo o que vê pela frente. As causas podem ser hereditariedade, alterações químicas, estresse, biológicas, genéticas e sociais, portanto não são inteiramente conhecidas. Salienta-se que também podem ser provenientes do uso de substâncias químicas. Dependendo do quadro clinico serão dois tratamentos para o transtorno bipolar e para dependência. É um dos quadros mais difíceis de tratar", aponta a psicóloga  do alto de seus 28 anos de experiência clínica.

Quais as alterações funcionais do cérebro, decorrentes dos Transtornos Bipolares?

Sabe-se que os transtornos bipolares estão associados a algumas alterações funcionais do cérebro que possui áreas fundamentais para o processamento de emoções, motivação e recompensas. Outro componente envolvido com os transtornos bipolares é a produção de serotonina no tronco-cerebral, uma substância imprescindível para o funcionamento harmonioso do cérebro. “E uma doença muito séria, pois é comum vir acompanhada de ideias suicidas”.


Quais são os sintomas do Transtorno Bipolar?

Uma pessoa com transtorno bipolar sofre alterações de humor, desde mania até a depressão, com períodos de "normalidade". Essas alterações podem durar de semanas a meses.
Durante a fase de mania, a pessoa pode sofrer dos seguintes sintomas:
Sentir-se como "no topo do mundo" e ter abundância de energia,
Falar e pensar rapidamente
Pensar que é invencível
Ter comportamentos imprudentes ou perigosos para si e outros ao redor
Ter delírios de fama e grandeza
Sofrer de falta de sono e irritabilidade exagerada
Sintomas durante a fase depressiva:
Tristeza profunda
Perda de todo o interesse em outras pessoas e atividades usuais
Sentimento de cansaço contínuo
Dormir mais que o comum ou ter insônia
Queixa de dores inexplicáveis
Risco de suic
ídio
O transtorno da bipolaridade pode limitar profundamente e causar muito sofrimento para o doente, como também, para a família e amigos. “Torna-se necessário um tratamento medicamentoso e psicológico, para dar suporte ao doente como também, às pessoas que convivem com o bipolar”, orienta a Psicóloga Claudete de Morais.